A criança em questão aparece fazendo poses como se quisesse imitar a mãe, como toda menina costuma fazer, usando suas roupas, sapatos, maquiagens. Tudo muito normal não? O problema foi, fazer dessa prática comum entre meninas, publicidade, e a exposição a que foi submetida a criança. Segundo a coordenadora do Grupo de Pesquisa da Relação Infância, Juventude e Mídia (Grim), da Universidade Federal do Ceará (UFC), Inês Vitorino, a campanha é “extremamente de mau gosto e desrespeitosa em relação às crianças. Para começar, a criança não é o foco da campanha. A marca é para o consumo de adultos e coloca a criança extremamente erotizada, em uma situação absolutamente desnecessária. Além disso, fere o ECA porque coloca a criança em situação vexatória, de calcinha, se maquiando, dentro de uma sociedade com tantos casos de pedofilia e abuso sexual”.
Enquanto isso a mãe da criança defende a propaganda e diz que estão fazendo uma tempestade em um copo d´agua e, segundo a própria, não ganharam nada para realizar a campanha, pois é amiga de pessoas da empresa.
Na época em que vivemos, com acesso a internet fácil, muitos pais costumam colocar fotos e vídeos de seus filhos na internet nas mais diversas situações, às vezes as expondo a situações muito pior que nessa propaganda.
E vocês o que acham de toda essa polêmica? Colocam fotos de seus filhos nas redes sociais? Como saber se a exposição está passando dos limites ou não? Que limites são esses?
Segue a reportagem na íntegra:
'Tempestade em copo d'água', diz mãe de menina em fotos erotizadas
Criança de três anos aparece em poses adultas em fotos de propaganda.
Mãe acompanhou ensaio fotográfico e se diz surpresa com a repercussão.
A mãe da criança de três anos que aparece em uma campanha publicitária
em fotos erotizadas afirma estar surpresa com a repercussão do caso.
“Fizeram uma tempestade em copo d'água. Minha filha não merecia passar
por isso”, afirma ela, que pediu para não ser identificada para
preservar a filha. Para o Dia das Crianças, a marca cearense veiculou na
internet e nas lojas imagens da menina maquiada, usando objetos e
fazendo poses de adulto. Após a publicação em 12 de outubro, as imagens
foram compartilhadas por centenas de usuários do Facebook, acompanhadas de críticas à marca. A empresa diz que houve uma ''interpretação distorcida'' do conteúdo.
A mãe da criança afirma que acompanhou as fotos da filha e que não viu
erotização no resultado. “Levei roupas dela para o ensaio, mas sugeriram
que ela fizesse só de calcinha para dar um ar mais infantil às fotos.
Eu concordei”, diz. Segundo a mãe, a criança que posou para campanha não
faz trabalhos como modelo e elas não receberam dinheiro. “Aceitei
porque sou amiga de pessoas da empresa. É a primeira vez que minha filha
faz fotos para publicidade. Nem gosto disso. Antes disso, já tinha
recebido várias convites. Aceitei mais por uma brincadeira”, afirma.
Para a mulher, nem ela, como mãe, nem a empresa de bolsas e sapatos
devem ser culpadas pelas fotos. “A agência que fez e estudou é que
deveria ter noção que uma foto passaria ptudo isso. Nem eu, nem o dono
temos noção disso”, conclui. Durante a tarde desta quarta-feira (16), o G1 tentou entrar em contato com a agência responsável pela campanha, mas as ligações não foram atendidas.
Conar
O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) afirmou que, até a segunda-feira (14), recebeu 70 notificações sobre a campanha da marca cearense, aceitou as denúncias e abriu um processo contra o anunciante. O órgão recebe denúncias de consumidores, autoridades e anunciantes, além de regulamentar a prática publicitária com base no Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.
O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) afirmou que, até a segunda-feira (14), recebeu 70 notificações sobre a campanha da marca cearense, aceitou as denúncias e abriu um processo contra o anunciante. O órgão recebe denúncias de consumidores, autoridades e anunciantes, além de regulamentar a prática publicitária com base no Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.
Entre os que criticaram a campanha, estão especialistas e publicitários
que analisam que as peças ferem o código, que trata sobre crianças e
adolescentes na publicidade. O parágrafo 1º do artigo 37 diz que
“crianças e adolescentes não deverão figurar como modelos publicitários
em anúncio que promova o consumo de quaisquer bens e serviços
incompatíveis com sua condição, tais como armas de fogo, bebidas
alcoólicas, cigarros, fogos de artifício e loterias, e todos os demais
igualmente afetados por restrição legal”.
ECA
Segundo a coordenadora do Grupo de Pesquisa da Relação Infância, Juventude e Mídia (Grim), da Universidade Federal do Ceará (UFC), Inês Vitorino, a campanha desrepeita não só o código da publicidade. “É uma campanha extremamente de mau gosto e desrespeitosa em relação às crianças. Para começar, a criança não é o foco da campanha. A marca é para o consumo de adultos e coloca a criança extremamente erotizada, em uma situação absolutamente desnecessária. Além disso, fere o ECA porque coloca a criança em situação vexatória, de calcinha, se maquiando, dentro de uma sociedade com tantos casos de pedofilia e abuso sexual”, afirma.
Segundo a coordenadora do Grupo de Pesquisa da Relação Infância, Juventude e Mídia (Grim), da Universidade Federal do Ceará (UFC), Inês Vitorino, a campanha desrepeita não só o código da publicidade. “É uma campanha extremamente de mau gosto e desrespeitosa em relação às crianças. Para começar, a criança não é o foco da campanha. A marca é para o consumo de adultos e coloca a criança extremamente erotizada, em uma situação absolutamente desnecessária. Além disso, fere o ECA porque coloca a criança em situação vexatória, de calcinha, se maquiando, dentro de uma sociedade com tantos casos de pedofilia e abuso sexual”, afirma.
Diante do caso, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca)
propôs na terça-feira (15) ao Ministério Público uma ação ação coletiva
para que futuras campanhas envolvendo crianças e adolescentes não
adotem uma postura similar. Segundo a entidade, mesmo que campanha da
Courofino tenha sido retirada de circulação, a empresa pode ser
penalizada com multa ou ter de assinar um Termo de Ajustamento de
Conduta (TAC).
A argumentação jurídica do Cedeca se baseia nos artigos 17 e 18 do ECA.
O artigo 17 fala do respeito à inviolabilidade da integridade física,
psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação
da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças,
dos espaços e objetos pessoais.
O artigo 18 do ECA traz que é "dever de todos velar pela dignidade da
criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento
desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor".
"Má interpretação"
Em nota, a marca Courofino informou que as peças e o banner publicitário divulgados na página oficial da empresa em uma rede social "buscou homenagear uma data tão importante no cenário nacional" e que houve uma "interpretação distorcida da real intenção da empresa" que era de mostrar a brincadeira de uma criança com os pertences da mãe.
A empresa também afirmou que não teve a intenção de erotizar a infância
e informou que já retirou o material publicitário de circulação. A
marca ainda pediu aos usuários das redes sociais que não compartilhe a
imagem ou que excluam das páginas para diminuir os "efeitos negativos
causados pela má interpretação da campanha".
De acordo com o Conar, mesmo que a marca retire as peças, o processo
continua tramitando, pois poderá referenciar campanhas futuras. Segundo o
conselho, o voto deve ser dado até esta quarta-feira (16). Caso não
tenha uma medida liminar, a campanha pode ser utilizada até o fim do
julgamento do processo, que dura de 30 a 40 dias.
Ainda de acordo com o Conar, é importante que as empresas reconheçam e
atendam a regulamentação do conselho. A retirada é de responsabilidade
do anunciante, que é informado sobre a existência do processo e pode
participar da sessão que julgará o processo, apresentando, inclusive,
defesa.
Disponível em:
http://g1.globo.com/ceara/noticia/2013/10/tempestade-em-copo-dagua-diz-mae-de-menina-em-fotos-erotizadas.html









