Vamos inaugurar hoje a sessão de entrevistas do blog, e não podíamos começar melhor.
Fizemos uma entrevista com a nutricionista Carolina Sales Oliveira Monte. Ela é formada em Nutrição e pós-graduanda em Nutrição Clínica. Atua na clínica em uma creche particular em São Luís - MA.
Buscamos questioná-la sobre problemáticas que papais e mamães enfrentam diariamente com seus pequenos em relação a alimentação, como sobre a dificuldade da ingestão de alimento sólidos e quais as melhores estratégias quando a criança não quer se alimentar. E quem já se perguntou se a alimentação pode influenciar na aprendizagem de sua criança? Vamos então tirar nossas dúvidas. Aqui vão as dicas dadas pela Carol.
1 – Quais os principais alimentos que uma criança deve
ingerir?
Na verdade, assim como os adultos, as crianças também devem ter uma alimentação personalizada, cada corpo necessita de nutrientes específicos, mas de forma geral, as crianças devem ter como base em sua alimentação os carboidratos, pois eles que oferecem energia, mas sempre dando preferência para os carboidratos integrais. Deve-se também inserir alimentos proteicos, como carnes, peixes, frango, de origem animal e feijões e soja , por exemplo, de origem vegetal, pois é a proteína que auxilia no crescimento adequado das crianças e, principalmente, na manutenção dos tecidos e gorduras. Sim, gorduras! Elas também são essenciais para uma alimentação saudável, basta saber quais os melhores tipos. Escolham as insaturadas, pois além de fonte de energia, elas também ajudam no colesterol bom e servem para construção de células e hormônios. E não poderíamos esquecer jamais de incentivar as crianças a ingerir frutas, legumes e verduras, pois é nestes alimentos que estão presentes as maiores fontes de vitaminas e minerais, essenciais nesta fase da vida.
Frequentemente as crianças adquirem
muitas calorias vazias todos os dias a partir de fontes altamente gordurosas e
não saudáveis como salgadinhos fritos e industrializados, e bebidas com alto teor
de açúcar. Então o que eu sugeriria era limitar estes, os “OS” – fritos,
doritos, cheetos, entre outros, assim como batatinhas fritas, biscoitos
fritos, biscoitos recheados, sucos industrializados e refrigerantes. Ou seja, os
fast-foods em geral e alimentos que tenham muito açúcares e gorduras saturadas.
3 - A forma como a criança se alimenta pode influenciar em
sua aprendizagem?
Sim, com certeza. Crianças que
abusam de fast-foods e comidas industrializadas estão mais propicias a terem um
aprendizado mais lento que crianças que se alimentam de forma saudável, com
frutas, verduras e legumes, por exemplo. Por isso os pais devem sempre
incentivar uma alimentação saudável aos filhos, além do que crianças com
deficiências de vitaminas e minerais tendem a ficar mais “preguiçosas” e/ou
sonolentas, sem animo para realizar qualquer tipo de atividade.
4 – Têm crianças que apresentam resistência em ingerir
alimentos sólidos, quais as consequências desse comportamento para a saúde das
crianças? E o que fazer para conseguir introduzir esses alimentos?
Ao recebermos a queixa de que a criança tem
alguma dificuldade de comer certos tipos de alimentos, devemos avaliar o estado
nutricional, a velocidade de crescimento e a presença de alguma doença. Devem ser feitos vários tipos de exames específicos para verificar a presença de
sinais de doença e de qualquer alteração nutricional.
Recomenda-se que sejam listadas as preferências das crianças e que,
semanalmente, sejam acrescentados dois novos alimentos com texturas similares
ao grupo anterior. Para aqueles que só comem purês, a viscosidade deve ser
aumentada gradativamente, diminuindo a água ou adicionando batata, além de
estar sempre oferecendo alimentos duros, que podem ser pegos com as mãos. Também podemos indicar que na transição para os alimentos sólidos, devam ser oferecidos alimentos semi-sólidos, como cenoura cozida, que estimulariam a
criança a experimentar alimentos mais sólidos.
Crianças que bebem muito leite devem ter a quantidade de alimentos semi-sólidos
e sólidos aumentada progressivamente.
Lembrando que os pais devem estar preparados para a resistência de seus filhos
perante essas novas atitudes. Os novos alimentos tendem a ser rejeitados,
portanto a oferta deve ser repetida; pois é através destas repetições que as
crianças aprendem e desenvolvem as associações entre as características
sensoriais dos alimentos, o contexto social e as consequências fisiológicas e
psicológicas de alimentar-se.
Fazer com que as crianças comam
refeições nutritivas e equilibradas traz benefícios óbvios, imediatos e
duradouros para a saúde delas. Desenvolver estes hábitos em idade bastante
precoce ajudará na manutenção de uma boa saúde durante toda a vida. Quando as
crianças aprendem que um lanchinho pode ser uma maçã ou palitinhos de cenoura
em vez de batatinhas fritas ou chocolates, elas estarão mais bem treinadas para
resistir alimentos não saudáveis. Por isso, é aconselhado que a criança tenha
um acompanhamento nutricional desde sua fase de bebê. Quanto mais cedo iniciar
este acompanhamento junto com a pediatria, melhor e mais saudável será a
criança.
6 – Quando as crianças tem dificuldade em comer, qual melhor
estratégia adotar?
Cada criança
apresenta um caso de seletividade alimentar, e cada uma tem suas
particularidades, e isso requer uma orientação individualizada, segundo as
características específicas da criança, da família e do meio. Os diversos
fatores categóricos da seletividade da criança têm seu impacto nutricional
melhor avaliado através da ação do pediatra junto com a nutricionista. Mas
podemos citar algumas estratégias bem simples que auxiliam na motivação da
criança em se alimentar melhor. Por exemplo, estimular as crianças a fazer
receitas saudáveis, fazer pratos divertidos, ensinar a importância daquele alimento
para o corpo, e o essencial, dê exemplo! Não adianta você exigir que seu filho
coma salada se você não come. Em contra partida existem episódios tão graves que
podem demandar, também, uma assistência psicológica especializada, visto que
muitos problemas alimentares são decorrentes de conflitos intra familiares que
se explicitam no âmbito alimentar.
7 – Quais os principais erros que os pais cometem em relação
a alimentação de seus filhos?
Todos nós
sabemos o quanto é frustrante tentar fazer com que nossos filhos comam algo que
têm certeza de que não irão gostar ou que têm certeza que não gostam. A tarefa, aparentemente insignificante, de ensinar uma criança a comer alimentos
variados que incluem legumes, verduras, frutas, cereais integrais, entre outros
é certamente difícil e por isso, os pais geralmente cometem erros banais na hora
de ensinar seus filhos a terem uma alimentação saudável. Por exemplo, tem pais que obrigam
as crianças a comer certos alimentos com chantagens, não insistem em um
alimento que a criança recusou uma vez, não conversam sobre a importância dos
alimentos para a saúde, deixam de castigo ou até usam
força física. Todos esses erros são comuns e devem ser analisados com muita
atenção pelos pais, porque podem trazer várias consequências psíquicas a curto
e longo prazo na vida de seus filhos.

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