quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Fotos de criança em propaganda repercutem mal e geram grande polêmica.

Li hoje no site do G1 a reportagem sobre uma propaganda de uma marca de bolsas e sapatos que colocou fotos de uma menina de três anos, de calcinha, fazendo poses, que foram consideradas erotizadas! A propaganda acabou repercutindo de forma muito negativa e teve até que ser retirada de circulação.
A criança em questão aparece fazendo poses como se quisesse imitar a mãe, como toda menina costuma fazer, usando suas roupas, sapatos, maquiagens. Tudo muito normal não? O problema foi, fazer dessa prática comum entre meninas, publicidade, e a exposição a que foi submetida a criança. Segundo a coordenadora do Grupo de Pesquisa da Relação Infância, Juventude e Mídia (Grim), da Universidade Federal do Ceará (UFC), Inês Vitorino, a campanha é  “extremamente de mau gosto e desrespeitosa em relação às crianças. Para começar, a criança não é o foco da campanha. A marca é para o consumo de adultos e coloca a criança extremamente erotizada, em uma situação absolutamente desnecessária. Além disso, fere o ECA porque coloca a criança em situação vexatória, de calcinha, se maquiando, dentro de uma sociedade com tantos casos de pedofilia e abuso sexual”.
Enquanto isso a mãe da criança defende a propaganda e diz que estão fazendo uma tempestade em um copo d´agua e, segundo a própria, não ganharam nada para realizar a campanha, pois é amiga de pessoas da empresa.
Na época em que vivemos, com acesso a internet fácil, muitos pais costumam colocar fotos e vídeos de seus filhos na internet nas mais diversas situações, às vezes as expondo a situações muito pior que nessa propaganda.
E vocês o que acham de toda essa polêmica? Colocam fotos de seus filhos nas redes sociais? Como saber se a exposição está passando dos limites ou não? Que limites são esses?


Segue a reportagem na íntegra:

'Tempestade em copo d'água', diz mãe de menina em fotos erotizadas


Criança de três anos aparece em poses adultas em fotos de propaganda.
Mãe acompanhou ensaio fotográfico e se diz surpresa com a repercussão.

 

A mãe da criança de três anos que aparece em uma campanha publicitária em fotos erotizadas afirma estar surpresa com a repercussão do caso. “Fizeram uma tempestade em copo d'água. Minha filha não merecia passar por isso”, afirma ela, que pediu para não ser identificada para preservar a filha. Para o Dia das Crianças, a marca cearense veiculou na internet e nas lojas imagens da menina maquiada, usando objetos e fazendo poses de adulto. Após a publicação em 12 de outubro, as imagens foram compartilhadas por centenas de usuários do Facebook, acompanhadas de críticas à marca. A empresa diz que houve uma ''interpretação distorcida'' do conteúdo.
A mãe da criança afirma que acompanhou as fotos da filha e que não viu erotização no resultado. “Levei roupas dela para o ensaio, mas sugeriram que ela fizesse só de calcinha para dar um ar mais infantil às fotos. Eu concordei”, diz. Segundo a mãe, a criança que posou para campanha não faz trabalhos como modelo e elas não receberam dinheiro. “Aceitei porque sou amiga de pessoas da empresa. É a primeira vez que minha filha faz fotos para publicidade. Nem gosto disso. Antes disso, já tinha recebido várias convites. Aceitei mais por uma brincadeira”, afirma.
Para a mulher, nem ela, como mãe, nem a empresa de bolsas e sapatos devem ser culpadas pelas fotos. “A agência que fez e estudou é que deveria ter noção que uma foto passaria ptudo isso. Nem eu, nem o dono temos noção disso”, conclui. Durante a tarde desta quarta-feira (16), o G1 tentou entrar em contato com a agência responsável pela campanha, mas as ligações não foram atendidas.

Conar
O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) afirmou que, até a segunda-feira (14), recebeu 70 notificações sobre a campanha da marca cearense, aceitou as denúncias e abriu um processo contra o anunciante. O órgão recebe denúncias de consumidores, autoridades e anunciantes, além de regulamentar a prática publicitária com base no Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.
Entre os que criticaram a campanha, estão especialistas e publicitários que analisam que as peças ferem o código, que trata sobre crianças e adolescentes na publicidade. O parágrafo 1º do artigo 37 diz que “crianças e adolescentes não deverão figurar como modelos publicitários em anúncio que promova o consumo de quaisquer bens e serviços incompatíveis com sua condição, tais como armas de fogo, bebidas alcoólicas, cigarros, fogos de artifício e loterias, e todos os demais igualmente afetados por restrição legal”.

ECA
Segundo a coordenadora do Grupo de Pesquisa da Relação Infância, Juventude e Mídia (Grim), da Universidade Federal do Ceará (UFC), Inês Vitorino, a campanha desrepeita não só o código da publicidade. “É uma campanha extremamente de mau gosto e desrespeitosa em relação às crianças. Para começar, a criança não é o foco da campanha. A marca é para o consumo de adultos e coloca a criança extremamente erotizada, em uma situação absolutamente desnecessária. Além disso, fere o ECA porque coloca a criança em situação vexatória, de calcinha, se maquiando, dentro de uma sociedade com tantos casos de pedofilia e abuso sexual”, afirma.
Diante do caso, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca) propôs na terça-feira (15) ao Ministério Público uma ação ação coletiva para que futuras campanhas envolvendo crianças e adolescentes não adotem uma postura similar. Segundo a entidade, mesmo que campanha da Courofino tenha sido retirada de circulação, a empresa pode ser penalizada com multa ou ter de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).
A argumentação jurídica do Cedeca se baseia nos artigos 17 e 18 do ECA. O artigo 17 fala do respeito à inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.
O artigo 18 do ECA traz que é "dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor".

"Má interpretação"
Em nota, a marca Courofino informou que as peças e o banner publicitário divulgados na página oficial da empresa em uma rede social "buscou homenagear uma data tão importante no cenário nacional" e que houve uma "interpretação distorcida da real intenção da empresa" que era de mostrar a brincadeira de uma criança com os pertences da mãe.
A empresa também afirmou que não teve a intenção de erotizar a infância e informou que já retirou o material publicitário de circulação. A marca ainda pediu aos usuários das redes sociais que não compartilhe a imagem ou que excluam das páginas para diminuir os "efeitos negativos causados pela má interpretação da campanha".
De acordo com o Conar, mesmo que a marca retire as peças, o processo continua tramitando, pois poderá referenciar campanhas futuras. Segundo o conselho, o voto deve ser dado até esta quarta-feira (16). Caso não tenha uma medida liminar, a campanha pode ser utilizada até o fim do julgamento do processo, que dura de 30 a 40 dias.
Ainda de acordo com o Conar, é importante que as empresas reconheçam e atendam a regulamentação do conselho. A retirada é de responsabilidade do anunciante, que é informado sobre a existência do processo e pode participar da sessão que julgará o processo, apresentando, inclusive, defesa.


Disponível em:
http://g1.globo.com/ceara/noticia/2013/10/tempestade-em-copo-dagua-diz-mae-de-menina-em-fotos-erotizadas.html



 

Um comentário:

  1. Ju, querida, parabéns pelo Blog, achei tua iniciativa muito legal!
    De uns tempos pra cá passei a me preocupar bastante com a exposição na internet. Muitas vezes quando postamos algo, esquecemos do poder de difusão da informação que a rede tem, e acabamos, em certos casos, nos expondo demasiadamente, transformando as redes sociais em um diário de bordo, em certos casos, informando onde estamos, trabalhamos, estudamos. Perigo, né? Nunca se sabe quem está à espreita. Mais grave ainda, é quando essa exposição envolve terceiros, especialmente crianças. Creio que nos próximos anos os debates referentes à falta de privacidade que as redes sociais provocam, serão ampliados. Hoje mesmo estava refletindo sobre isso. Eu posso, por exemplo, não querer postar fotos pessoais, no entanto, um amigo da minha lista vai e posta uma foto minha em sua rede. Em muitos casos, pessoas nem tem acesso à redes sociais, mas tem informações suas expostas por conta de um amigo que tem (não é a toa que o nome é 'rede').
    Por outro lado, a adultização das crianças é um perigo. A própria sociedade consumista leva muitas mães a vestirem suas filhas como mini-moças, queimando a etapa do vestidinho bordado (rs!). Penso que essa erotização precoce pode trazer reflexos na formação da criança, uma vez que ela pode começar a se enxergar como adulta desde muito pequena, perdendo um pouco o gosto pelas coisas de criança. Ou não!

    Beijinhos pra vc!

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